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CORAGEM EM TONS DE ROSA: ENTREVISTA A CRISTINA MOURA

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Servidora pública venceu o câncer de mama aos 45 anos, mantendo-se produtiva e confiante

Encerramos hoje a campanha Outubro Rosa com dados não muito satisfatórios e que, de certa forma, nos deixam alertas para um problema que acomete principalmente as mulheres maduras: o medo. Para se ter uma  noção, 40% das mulheres de meia idade não realizam anualmente a mamografia no Brasil, de acordo com o IBGE. Entre as que realizam o exame, principalmente nos mutirões do Outubro Rosa, com todas as facilidades e gratuidade que a campanha oferece, mais de 40% não retornam para buscar o resultado. Isso denota que estamos imersos na cultura do medo da descoberta da doença e suas implicações, como as temíveis palavras “quimioterapia” e “mastectomia”, ignorando totalmente o fato de que, quando diagnosticado prematuramente, o câncer de mama tem 95% de chances cura. Por isso que o blog Mulher Depois dos 40 decidiu encerrar o mês e a campanha do Outubro Rosa com uma entrevista à psicóloga Cristina Moura. Em seu depoimento, é possível refletir que a coragem é o melhor remédio para tempos de medo. Confira!

MD40: Conte um pouco sobre você: nome, idade, profissão, ocupação, filhos, casada há quanto tempo, hobby etc.

CM: Cristina Moura, 53 anos, psicóloga, servidora pública. Sou casada há 26 anos e tenho um filho.

MD40: Com quantos anos você foi diagnosticada com o câncer de mama e quais foram as primeiras providências tomadas para não deixar o “susto” interferi muito na sua vida?

CM: Recebi o diagnóstico de câncer de mama aos 45 anos, em 2009, após  exames de rotina. Uma retração na mama esquerda levou à suspeita de um tumor, logo descartado. Por conta disso, fui orientada a retornar para novos exames em seis meses, para controle. Uma amiga no trabalho me sugeriu procurar um mastologista. Após a realização de ressonância magnética da mama, prescrita pelo mastologista, veio o diagnóstico. É como se uma bomba tivesse caído sobre a minha cabeça. Eu não tinha sintomas e estava com câncer de mama. Chorei muito.

Impossível este diagnóstico não interferir na vida de quem o recebe e dos que estão em volta: marido, filho (à época com 13 anos), mãe, irmãos, família, amigos. Ainda existe um estigma muito grande sobre essa doença. Escolhi contar para as pessoas, pois o fato de ter descoberto o câncer no início foi fundamental para a minha cura e achei que assim poderia ajudar.

No dia seguinte aos exames, ainda sob o impacto da notícia, mas com muita coragem, que não sei de onde surgiu, iniciei os exames pré – operatórios e em quinze dias estava sendo operada. A cirurgia foi assistida por duas médicas da minha família. Foi realizada uma quadrantectomia. No dia posterior, saí do hospital. Apesar de serem dois nódulos malignos, não havia disseminação e tinham menos de 1 cm.

MD40: Como foi que a família recebeu a notícia e em que grau o apoio que você recebeu dela foi importante para o enfrentamento da doença?

CM: Todos se assustaram, mas me apoiaram o tempo todo. O meu marido esteve ao meu lado em todo este processo: cirurgia, quimioterapia, consultas médicas. Lembro dele me dizendo que superaríamos tudo isto juntos. E assim aconteceu. O apoio que recebi dos que me cercavam me fez passar por este processo de uma maneira mais “tranquila”. Me senti muito querida e amada. Pedia sempre proteção a Nossa Senhora, o que me acalmava. Amigos antigos se reaproximaram e novos surgiram.

Os profissionais que me acompanharam também foram fundamentais. Me cerquei de nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta. Tive o privilégio de ter todo o recurso material e apoio emocional.

MD40: Você optou por continuar trabalhando, ao passo que passava pelo tratamento. O que a levou a tomar essa decisão? Manter-se “na ativa” te ajudou em algum aspecto, durante o tratamento?

CM: Estar trabalhando me colocou em contato com outro mundo que não o da doença. Manter a mente “ocupada”, conversar com as amigas no trabalho, sempre tão carinhosas, me deram mais força. Tive muito medo de enfrentar a quimioterapia, mas em mim, os efeitos foram muito mais emocionais. Foi um período difícil, de uma nseguranças e medos. Passei por 4 sessões, com 21 dias de  intervalo. Depois 28 sessões de radio e por sete anos, hormonioterapia.

MD40: Estamos no Outubro Rosa e muitas mulheres participam dos mutirões de mamografia, mas apenas cerca de 40% vão buscar o resultado. O medo do diagnóstico ainda é muito grande. Qual mensagem você passa às mulheres nesse período de campanha?

CM: Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de cura. Sendo assim, o medo não pode ser paralisante. E tudo passa, mesmo parecendo o contrário. Hoje levo uma vida normal, mas procuro levar uma vida mais saudável. Passei a praticar atividade física e me alimentar com mais qualidade.

MD40: Muitas mulheres contam que, após passar pelo tratamento, passam a enxergar a vida de uma outra forma, como se uma nova mulher renascesse após um período tão difícil. Você também poderia dizer o mesmo? A batalha que você enfrentou e venceu contra o câncer de mama te mudou em algum aspecto?

CM: A primeira constatação é de que não se pode ter controle de tudo na vida. Aproximei-me mais de Deus. Hoje me sinto mais fortalecida.

MD40: Se você pudesse mandar um recado às nossas leitoras, a respeito dos cuidados da mulher madura com a saúde e qualidade de vida, que diria a elas?

CM: 1. É fundamental a prevenção e estar sempre em dia com os exames;

  1. Na dúvida, procure outro médico;
  2. Confie na equipe médica que lhe acompanha;
  3. Procure outros profissionais (psicólogo, nutricionista) que possam lhe ajudar a amenizar os efeitos dessa fase difícil;
  4. Esteja cercado de pessoas que lhe amam!
Iriz Azi

Perfil

Iris-17

Nasceu em 29 de março de 1967, é ariana, baiana, casada, mãe de dois filhos. Graduada em Relações Internacionais, com mestrado em Desenvolvimento Regional e Urbano e  empresária no segmento de beleza e bem-estar há 5 anos.

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