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Criado em 06 Fevereiro, 2017

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                    Uma das histórias que mais me fascinam é a da “Alice no País das Maravilhas”. Além das referências e metáforas profundas que o mestre Lewis Carroll incluiu em sua narrativa, o detalhe que mais me intrigada era a presença do Coelho Branco apontando para o seu relógio de bolso, dizendo sempre que a Alice estava atrasada. Eu pensava: “como a Alice poderia estar atrasada, se ela não tinha marcado compromisso com nenhum daqueles personagens?” Ao entrar no mundo das maravilhas, descobrimos que não era a Alice que estava atrasada, mas o próprio país, ao se deparar com a garotinha subversiva e curiosa, que desafiava a ordem das coisas.

                Por que eu estou falando disso? Porque o tempo será a nossa pauta dos próximos posts, pois em março, completarei meio século de vida. Na iminência de me tornar uma cinquentenária, aquela boa e velha crise fase de reflexão vem à tona e eu comecei a me perguntar: qual é o meu tempo? O tempo na vida de uma mulher é demarcado por ciclos que a acompanham durante toda a vida, desde a 1ª menstruação até o período em que temos de dar uma forcinha na produção de hormônios para viver bem. A mulher é um ser cíclico e isso fica ainda mais latente na maturidade.

Mas, para além dos nossos ciclos fisiológicos, a mulher enquanto instituição também obedece a ciclos relacionados ao seu papel social. Sempre delimitada por um ponto de vista patriarcal, a mulher madura foi desenhada como aquela que está se resguardando, após cumprir os papéis que lhes eram cabidos (que, em resumo, significava cuidar da casa, dos filhos e do marido – não necessariamente nessa ordem). Ao entrar nos 40, eu me recusei a ser deste tempo e a cumprir esta parte de um ciclo com o qual eu nunca me identifiquei. Ariana e, por conseguinte, inquieta, redefini meus papéis na sociedade e o meu lugar no tempo através da produtividade no meu trabalho, encaminhando devidamente as demandas familiares e, principalmente, cuidando de mim e do meu corpo (que será um dos temas desta série de textos). É uma lástima constatar que não muitas mulheres da minha geração seguem um estilo de vida em que o tempo é uma ferramenta e não o próprio destino. Há muitas cinquentonas e quarentonas com potenciais perdidos por conta da pressão que sofrem para se enquadrar a perfis e espaços sociais que nos impedem de explorar novas e incríveis possibilidades da maturidade feminina. E, partindo deste incômodo, criei o Mulher Depois dos 40, cujos resultados têm sido compartilhados por muitas leitoras que se reencontraram com o Tempo através do blog.

                Caminhar para os 50 tem sido uma experiência curiosa na minha vida. Ainda estou retomando o ritmo nos trabalhos e no esporte, encerrando um recesso que tem me dado tempo pra pensar nas novas perspectivas que devo ter daqui pra frente, especialmente porque eu entrarei nos 50 em um período politicamente conturbado para as mulheres. É preciso pensar sobre o nosso tempo, sobre mudar o tempo e regular os ponteiros daqueles relógios que insistem em atrasar. E jogar fora os que já não funcionam mais. Quero chegar aos 50 como a Alice: atrasada pelos olhos de uma sociedade antiga e autoritária, mas muito à frente do seu próprio tempo e ciente de que o seu lugar é não ter lugar.

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Criado em 30 Dezembro, 2016

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Termino o ano ciente de que foi um período conturbado, mas esperançosa por dias melhores. Confira a retrospectiva da Mulher Depois dos 40!

                Ufa! Se tem uma coisa que podemos dizer após este ano, é isso. Dar um profundo suspiro, erguer a cabeça e dizer: “Pode vir, 2017!” A impressão que fica, é que depois de um período tão conturbado, a gente tá preparada para qualquer coisa que o próximo ano trouxer. Foi um ano de crise, recessão, uma ascensão absurda do machismo e de machistas na nossa sociedade, direitos perdidos e a nossa autoestima enquanto brasileiras indo parar quase embaixo do pré-sal, por conta dos maus exemplos políticos e falta de representatividade. Contudo, eu devo dizer, que foi um ano onde eu tive de usar a criatividade e descobrir forças que nem sabia que tinha para não me abater pelos maus momentos. Vamos lá...

                DE CARA COM A CRISE: No finalzinho de 2015, ninguém conseguia direito identificar o que aconteceria em 2016. A possibilidade de um processo de impeachment que dividiria o país, a previsão da acentuação da crise financeira e projeções assustadoras para uma mulher de negócios como eu. E eis que o ano chega já mostrando a que veio: investimentos baixos, crise política, falta de representatividade da população e os protestos de rua crescendo. Nos primeiros meses, tive de tomar decisões para que a minha empresa, Spa Urbano, não fosse prejudicado como muitos outros negócios que tiveram até mesmo de fechar as portas. E isso envolveu criatividade para cuidar do marketing, aumentar o raio de alcance de público e realizar diferentes ações e parcerias para manter o movimento. Além disso, muito investimento em capacitação, treinamento, congressos da área e eventos para dar aquele upgrade no networking que sempre salva!

                A RETRIBUIÇÃO: CUIDANDO DA MINHA MÃE: Este foi um tema que pouco comentei nas minhas redes e aqui no blog, mas a maior de todas as dificuldades que o ano trouxe foi a leucemia que tive de enfrentar junto com a minha mãe. Eu digo que enfrentamos juntas, porque eu jamais enxerguei a doença como apenas dela. Quando você ama muito alguém e é muito ligada a esta pessoa – como eu sou com a minha mãe – você absorve além da preocupação natural, então, além de resolver um monte de coisa dos negócios, da política, da família, colei junto com a minha mãe em absolutamente todos os tratamentos e consultas e oferecendo a ela o máximo de qualidade de vida que pude. Sempre dizendo em alto e bom som para 2016: “mexa comigo, mas não mexa com minha mãe!” – e ela continua firme! E aqui uma foto dessa linda guerreira pra vocês.

                LIDANDO COM A CRISE: E como toda vez que nós, mulheres maduras, nos debruçamos sobre algo e acabamos demandando muita energia – e, consequentemente, estresse – aqueles bons e velhos amigos da menopausa e da idade voltam a dar as caras: os hormônios deram aquela desregulada, o humor ficou oscilante e outros efeitos físicos começaram a se aproveitar do momento. Acabei me esquecendo da regra número 1 da mulher madura: um olho na vida (trabalho, relacionamento, família, etc.) e outro sempre em você. Na primeira oportunidade em que você se distrai, o estresse tenta se apoderar. Por sorte, percebi cedo e não deixei que os problemas me consumissem. Sabe o que eu fiz? Fui pro mar!

                EQUILIBRANDO-SE EM ÁGUAS TURBULENTAS: Como já falei aqui em vários textos, o mar é um dos meus melhores amigos. Quando subo na minha prancha para praticar o Stand Up Paddle, me sinto uma rainha, uma comandante que decide o rumo que tomar, que se orienta por si só, em diálogo constante com a água e com a energia da natureza. É, além de uma excelente atividade física, uma terapia. A minha saída para dar conta dos problemas que vieram com a crise e a instabilidade foi de transformar o esporte em uma alegoria ao estado atual das coisas: estavam todos perdidos em meio a muita sujeira e caos acontecendo no país e no mundo, e eu não queria estar assim, nem sobre as águas. Então, me joguei de cabeça nas competições. Quando você compete, você tem um objetivo, um caminho que deve ser trilhado da melhor forma possível, o que não necessariamente quer dizer a mais rápida. Você une técnica, equilíbrio físico e mental e muita concentração para alcançar a linha de chegada primeiro. Era exatamente isso que eu estava tentando fazer no trabalho, nas relações familiares e na política, em um cenário completamente adverso, e o esporte me ajudou, literalmente, a segurar a onda. E o resultado de pensar dessa forma foi muito positivo, com muitos troféus nos esportes, e, consequentemente, mais serenidade para lidar com os problemas. Relembre aqui as competições das quais participei.

                OLHO NO OLHO: O 1º ENCONTRO COM MINHAS LEITORAS: No meio do ano, tive a ideia de realizar o I Workshop A Mulher Depois dos 40 em Foco. Sabe quando você, depois de falar e expor muita coisa, sente que precisa ouvir também a outra? Foi essa a minha necessidade. Em um ano difícil, queria saber como estavam as minhas interlocutoras e de que modo eu poderia melhorar os conteúdos para atender aos diferentes contextos. O resultado foi um evento que me deu ainda mais gás para continuar com o projeto Mulher Depois dos 40. Um dia inteiro de troca de conhecimento com palestras, parceiros e um público de mulheres retadas, como se diz aqui na Bahia, que estão querendo dominar aí os diferentes cenários. E já quero fazer mais! Para levar o Workshop A Mulher Depois dos 40 em foco para a sua cidade, entre em contato com a gente!


                COLHENDO OS RESULTADOS: O final de ano é uma das épocas mais melancólicas do ano – pelo menos para mim – e, embora eu estivesse me preparando psicologicamente para o final do ano de 2016, eis que sento para escrever esta retrospectiva com um sorriso no rosto. Não por ter sido um ano fácil, mas um sorriso por ter conseguido chegar bem até aqui. Um sorriso de gratidão por cada amigo com quem eu pude contar, pela cumplicidade dos meus funcionários, pelo amor do meu marido e dos meus filhos, pela saúde da minha mãe, pela confiança dos meus clientes, pelas vitórias alcançadas nos campeonatos de SUP. Por tudo, especialmente pelas dificuldades e desafios. Tudo isso me tornou mais forte e confiante para encarar um 2017 que não será qualquer coisa: é o ano em que farei 50 anos! E não é por acaso que 2016 tinha de ser assim. Eu tinha de fechar o ciclo dos 40 dessa forma, na luta, na garra. E venci. Espero profundamente que você que está lendo também termine o ano com essa sensação. E se não, desejo que 2017 seja um ano de transformação e positividade para você. Nunca se esqueça de agradecer. Nunca se esqueça de amadurecer! Feliz ano novo!

                Com esse relato, encerramos nossos trabalhos por 2016. E preparem-se, que em 2017 tem Mulher Depois dos 40... Aos 50!

 

ME AGUARDEM...

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Criado em 20 Dezembro, 2016

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Calma! Eu sei que 2016 não foi um ano fácil, mas foi um período de descobertas feitas pela ótica das competições que participei.

            No último domingo (18), ao subir no último pódio do ano, e me consagrar como campeã baiana da categoria Race Amador Feminino 2016, ao lado de mulheres com as quais disputei o Circuito Baiano de SUP, pensei não apenas em como é difícil chegar àquele lugar, ainda mais sendo uma mulher, sendo madura, a despeito de todos os padrões impostos por uma sociedade cada dia mais conservadora e preconceituosa.

 

Crise, instabilidade política, um país rachado ao meio, discursos machistas vindo à tona por pessoas da mais alta esfera do poder, o que nos coloca em uma posição de alerta. Tudo isso – e mais um pouco – foi o que 2016 nos proporcionou. Nunca fui de ficar de camarote, estática, assistindo ao céu cair sobre as nossas cabeças, mas confesso que as competições de SUP serviram, ainda que inconscientemente, como uma válvula de escape para um cenário não tão favorável para uma mulher madura.

            Explico: Mulheres são competitivas por natureza. Não pelas razões clichês que apontam, como “queremos estar sempre mais arrumadas que as amigas, ter a melhor maquiagem, melhor cabelo, melhor vestido” e outras balelas machistas, mas porque sempre foi exigido, de nós, o melhor e os mais difíceis papéis sociais. Sempre nos querem colocar em locais preestabelecidos. Então, quando subo na minha prancha e estou com o remo em mãos, sou eu quem decido que direção ir, em que velocidade e tenho total poder para mudar os rumos.

Ver outras mulheres dando o melhor de si nas competições foi praticamente uma terapia. Competir é mais que medir forças, é superar limites. É ver o melhor de si no outro. E em um cenário tão limitado como o que vivemos neste ano, nada me fez tão bem do que dividir jornadas e pódios com mulheres extraordinárias, com histórias de vida inspiradoras, idades diferentes, mais jovens e mais maduras que eu, e intercambiar com elas experiências, conhecimentos e dificuldades, que me fizeram encarar os tsunamis de 2016 de pé e remando em frente.

            Foram muitas competições e festivais locais, regionais e nacionais, na categoria amador, e eu “me joguei” em muitos. Não podia ver um evento surgindo que já corria para me inscrever. Era automático, intuitivo, e eu só parei pra perceber o porquê agora, depois do último pódio do ano: Era 2016 que estava me esperando no pódio. Em um ano com tantas adversidades, em que muita gente estava dando o mínimo, quase nada para melhorar as coisas, eu tinha de dar o melhor de mim e fazer aquele momento valer a pena. E de nada adiantaria se, ao longo da jornada e da chegada ao pódio, eu não tivesse a companhia de mulheres guerreiras, que pude conhecer durante as competições.

Eu escolhi o Stand Up Paddle como meu esporte de coração, e agora, de competição também. Ele me ajudou muito a ter serenidade e equilíbrio para enfrentar os desafios da maturidade. Por isso, cara leitora, minha dica de hoje é que, num momento de adversidade, você procure uma razão para não desistir e mais um motivo para lutar, porque, independente de chegar ao pódio ou não, o que mais nos inspira é a própria jornada e os pequenos obstáculos que ultrapassamos no caminho. Um degrau por vez, até que, sem percebermos, chegamos ao 1º lugar. E é lá que eu quero vê-la em 2017, levantando os seus troféus. Boas festas!


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Criado em 11 Dezembro, 2016

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Jejum intermitente pode ajudar na renovação celular e promover uma série de benefícios à saúde da mulher madura

            Jejum é uma palavra que assusta, porque muita gente não gosta da sensação de fome. Conheço mulheres que só ficam em jejum quando vão fazer exame de sangue, e olhe lá! Tudo isso porque se construiu o mito de que ficar muito tempo sem comer causa perda de massa muscular, fadiga, queda de pressão e outros males. Sim, o jejum indiscriminado causa esses e outros problemas, mas quando falamos de jejum intermitente, você percebe que a história pode ser bem diferente.

            O jejum intermitente consiste em suspender a oferta de alimentos ao corpo por 16 horas seguidas, entre a ceia e o café-da-manhã. Com isso, suas células iniciam um processo de renovação, executando a autofagia, que é o consumo de proteínas antigas para a produção de novas. Há também um pico do HGH, hormônio do crescimento, que fica até 05x maior do que o comum, acarretando em perda de gordura e ganho e massa muscular. A função genética ligada à longevidade também registra mudanças importantes, principalmente no que tange a proteção de doenças.

            Outros benefícios apontados em estudos são a maior resistência á insulina, redução dos marcadores de inflamação, redução do colesterol LDL, aumento da secreção do hormônio BDNF, que previne o Mal de Alzeheimer e fortalece as células nervosas e efeitos anti-aging. Para quem quer perder peso,  a boa notícia é que, além de baixar a insulina e aumentar os níveis de hormônio do crescimento, o jejum intermitente faz seu corpo liberar mais noradrenalina, que é outro hormônio que auxilia na queima da gordura.

            O protocolo mais indicado para mulheres que se interessam em praticar este estilo de alimentação, é seguir um período de jejum de 14 horas, com uma janela de 10 horas de alimentação, com 02, 03 ou até mais refeições, se for o caso. Para pessoas que sentem muita fome ao acordar, o consumo de água ou café sem açúcar ajuda no processo de adaptação. Quem segue, não quer parar mais, uma vez que sinais de longevidade, renovação celular e anti-aging são evidentes. E aí, vai encarar?

 

P.S.: Antes de se tornar adepta de qualquer estilo de alimentação, consulte seu médico e profissional de nutrição!